quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Nao ha coincidencias no Nepal?

Ha alturas em que nos esbarramos com acasos tao improvaveis que quase da a sensacao de que somos na verdade personagens de um filme como o "Truman Show". Foi o que sucedeu num dos nossos ultimos dias em Pokhara. Iamos a descer uma rua quando, pela segunda vez, nos cruzamos com a vizinha da Laura e o amigo, que tinham acabado de chegar a cidade. Sera que o grande vulto da literatura portuguesa que da pelo nome de Margarida Rebelo Pinto tinha razao e, de facto, "nao ha coincidencias"?

Decidimos entabular conversa na esperanca de descobrir um qualquer sinal ou informacao potencialmente relevante para a nossa sobrevivencia futura. Acabamos por ficar mais informadas sobre a situacao politica do pais: ambos tinham vindo ao Nepal como voluntarios das Nacoes Unidas (ONU) para supervisionar o decorrer das eleicoes. No entanto, como os maoistas se revoltaram e decidiram abandonar a coligacao que estava no poder, exigindo o fim da monarquia (embora esta seja constitucional), as eleicoes foram canceladas. E foi assim que os nossos companheiros de acasos, desterrados nos Himalaias, e ja sem actividade oficial, se decidiram a vir para as montanhas de Pokhara. Viemos a saber que entre as suas proximas paragens se encontra Goa. Sera que os voltaremos a encontrar? Isso sao cenas dos proximos episodios. "Nao percam porque nos tambem nao"!!

Ja agora, uma curiosidade:
Em 2001, tres meses antes do Bin Laden demonstrar o seu amor pelo povo americano, no Nepal viviam-se momentos animados. Certo dia, Dipendra, o principe herdeiro, acordou com os pes de fora. Estava aborrecido porque, segundo as mas linguas, os seus adorados papas nao gostavam da eleita do seu coracao. E entao que decide tomar uma atitude: pega na pistola, vai ter com os seus progenitores e BUM BUM BUM. O que ele nao contava e que a empregada tivesse tirado o tapete do sitio. O principe escorregou e foi BUM BUM BUM na sua estimada massa cinzenta. E foi assim que o seu titio Gyanendra chegou ao poder.
(Contos Infantis Nepaleses, Versao Portuguesa Ana&Laura)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Farewell Nepal

Estes ultimos dias no Nepal foram passados em Pokhara, num hotel a beira do lago Phewa. Temos vindo a reparar que os sitios que mais nos marcaram foram aqueles que se encontravam perto de agua, seja em forma de rio (como Varanasi ou Chitwan) ou de lago. Sao sitios sempre relaxantes que nos transmitem uma sensacao de calma e que convidam a introspeccao.


Este e o lago Phewa e a ilhazinha que aparece no meio e a casa de um templo Hindu que fomos visitar.

E o que mais andamos nos a fazer em Pokhara?


Viemos a descobrir que a maioria dos turistas vem ao Nepal para fazer trekking nos Himalaias, seja a partir de Kathmandu ou de Pokhara (nota: trekking e a expressao inglesa usada para referir caminhada). Devido a limitacoes de tempo, optamos por fazer um trekking de dois dias, apenas para ficar como experiencia. Sim, e cansativo escalar uma montanha durante tres horas ao sol, quase sem paragens. Mas tambem ha velhinhos com cinco vezes a nossa idade a ultrapassarem-nos perigosamente!

No entanto, tudo vale a pena quando a alma nao e pequena, e soube bem atingir o objectivo. A nossa recompensa foi, na manha seguinte, observar o nascer do sol do cimo da montanha de Sarangkot...

...embora com algumas nuvens em redor.

Foram so dois dias mas voltamos partidinhas (descobrimos que precisamos de fazer mais exercicio!). Precisavamos de descontrair os musculos, tanto das pernas (de escalar montanhas) como das costas (de carregar mochilas). Optamos entao por uma sessao de massagem na "Seeing Hands" - uma organizacao internacional que da formacao em massagem a cegos. E sabido que estes, por estarem privados da visao, tem um tacto mais desenvolvido. Nos comprovamos as suas competencias! Foi como se nos tirassem um peso de cima, saimos de la renascidas. Tambem e bom saber que parte dos lucros das massagens reverte a favor da organizacao para dar formacao e apoio a massagistas cegos. Quem estiver interessado pode ver em: www.seeinghandsnepal.org
Sendo uma cadeia internacional, com muitas sedes espalhadas pela Asia, esperamos voltar a encontra-los no nosso caminho. As nossas costas tambem agradeciam!

E por ultimo, ainda para descontrair do extenuante (?) trekking...


...resolvemos atirar-nos dos Himalaias...


...mas de parapente...


...e aqui, as imagens valem mais do que as palavras...

Um (...) sobre a viagem

Estamos em viagem ha exactamente um mes e uma semana. E entao altura de celebrar esta auspiciosa data com um relato mais aprofundado dos nossos estados de espirito.

Ao partirmos de Delhi para Varanasi (a nossa primeira viagem de comboio pela India), optamos por comprar o bilhete da classe mais barata. "O melhor e fazermos as viagens em classes mais baixas agora ao inicio, enquanto ainda nao estamos muito cansadas", pensamos nos. A verdade e que o processo parece ter sido o inverso, foi preciso algum tempo para nos habituarmos a saltitar de pousio em pousio, sempre com a casa as costas. Agora que entramos no ritmo de andar em viagem tudo nos parece mais facil, mais apelativo, mais leve e menos cansativo. Quando pegamos nas malas elas ja nao nos parecem tao pesadas. A viagem, que ao inicio nos parecia ser uma aventura de longa duracao, parece-nos agora limitada por um curto prazo de tempo.

Mas tambem e engracado que, quando pensamos no tempo que ja passou, parece-nos muito menos do que foi na realidade. No entanto, quando nos lembramos de historias e sitios por onde passamos, parece que foi ha uma eternidade.

Concordas Laura?
"Uma das coisas que sabe muito bem e nunca ficarmos presas a um sitio. Sempre que nos apetece podemos simplesmente apanhar um autocarro ou comboio e partir para a proxima paragem"

E uma constante sensacao de liberdade. Podemos deixar-nos ir ao sabor do vento e das circunstancias, deixar que cada pessoa e que cada sitio que conhecemos nos surpreenda com uma historia ou uma qualquer especificidade que vai ficar na memoria.

Podemos partilhar, por exemplo, as duas respostas que ouvimos sempre que dizemos a nossa nacionalidade: "Ah, sao as primeiras portuguesas que encontramos!" ou entao "Ahhhhhhhhhhhh, Cristiano Ronaldo!". E assim vao os portugueses deixando a sua marca por este mundo fora...

NOTA: devido a alguns comentarios que questionam quem escreve e quem fotografa, e se isso se relaciona com quem assina o post, queriamos esclarecer os nossos caros leitores que este blog e feito em estreita colaboracao. Sendo que as duas escrevem e as duas fotografam e indiferente quem assina o post.

sábado, 3 de novembro de 2007

Explorando a selva... (versao brasileira: Erbert Richard)

Acabamos de chegar agora a pacata cidade de Pokhara, depois de uma semana na "jungle".
Vamos dar seguimento a um pequeno trailer que vos vai conduzir pelas maravilhas que vivenciamos nestes ultimos dias. Apertem os cintos.............

Ao fim de uns dias a deambular pela atarefada e turistica cidade de Kathmandu, ja nos suspiravamos por contacto com a natureza. Como nao somos raparigas de deixar as coisas por fazer, tomamos uma atitude selvagem e apanhamos um onibus para a selva! Saimos no sul do Nepal e ai exploramos o Parque Nacional de Chitwan.
As nossas expectativas nao eram muito elevadas: tinhamos ouvido dizer que, por ser o parque mais conhecido e visitado do pais, esta zona estava sempre recheada de turistas.

Depois de umas seis horas a percorrer montes e vales aos saltinhos no autocarro (apesar das estradas esburacadas, as viagens neste pais sabem sempre bem, passamos o tempo deliciadas com paisagens incriveis) chegamos a primeira paragem, de onde tinhamos de apanhar um taxi para a aldeia de Sauraha. Ja tinhamos decidido para onde ir e em que hotel ficar quando alguem de outro hotel vem ter connosco e nos oferece transporte para a aldeia. Precos bastante baratos, nem tivemos de regatear. "Se nao gostarem do resort nao tem que pagar taxi e ficam logo em Sauraha". Convencidas, aceitamos a boleia e la seguimos para o Hotel Forest Resort.

Comecamos por ser surpreendidas pelo sitio, pela incrivel calma que os campos de arroz em volta transmitem, pelo caracter ainda genuino tanto da paisagem como das pessoas. Quando chegamos ao Resort, passamos por um jardim florido, entramos numa cabaninha confortavel e bem limpa e pensamos "se calhar vamos ficar ca mais do que dois ou tres dias".














O Forest Resort e gerido por um suico, o Adrian, e um Nepales, o Deepak, que compraram as instalacoes ha cerca de dois meses. Ao fim de 20 meses a viajar pela Asia, o Adrian resolveu aceitar a proposta do seu recente amigo Deepak para assentar em Sauraha e investirem os dois num resort em conjunto. O ambiente era muito familiar e acabamos por nos sentir mais em casa de amigos do que propriamente num hotel. O saldo final foi uma estadia de sete dias, novos amigos e uma grande vontade de voltar.

Entre passeios de bicicleta e de canoa, exploramos o parque de Chitwan participando em muitas outras actividades...



Uma das actividades que fizemos foi passar uma noite numa torre no meio da selva. As nossas companhias foram o Deepak, o Adrian (na foto), um casal de suicos, um dos guias do resort e muitas piadas, gargalhadas e boa comida nepalesa (nota: ficamos a saber que o humor suico inclui muitas piadas com portugueses) .
Ah, e ainda fomos observadas por alguns animais. O chato foi quando quisemos ir a casa de banho (que ficava no piso terreo) e nos apercebemos que existia a possibilidade de nos defrontarmos com um animal selvagem, nomeadamente um tigre ou um rinoceronte. Viva a lanterna!!!





Num outro dia fomos fazer um passeio a pe pela selva. Ao inicio eramos seis mas acabamos por nos separar e ficamos so nos as duas com Tilak, o guia. Passadas umas duas horas de ardua caminhada, ele para e aponta para um arbusto. E entao que vemos passar por nos um rinoceronte a correr. O Tilak resolve seguir o animal mas dois metros a frente apercebe-se que este ja tinha dado pela nossa presenca e estava em posicao de ataque. Foi ai que ele teve a sensata atitude de nos levar dali para fora. E la saimos de fininho. Viemos mais tarde a saber que o rinoceronte e um dos animais mais perigosos da selva (mais ainda que os tigres) sendo frequente haver ali ataques por parte destes a pessoas.



Aqui temos o nosso amigo Rhino, que voltamos a ver - desta vez a salvo - de cima de um elefante. Parece pacifico, nao parece? Mas aquela carapaca tem uma razao de ser!



Nos em cima de um elefante. Nao se percebe mas se nos dizemos e porque e verdade! Atras podem ver as cabecas das australianas que nos acompanharam no safari.



Para os mais desconfiados aqui vai a derradeira prova, andamos mesmo de elefante. E nao, o elefante nao tinha duas trombas, e um outro que se escondeu atras do nosso para a fotografia.



A Laura a guiar um elefante e a Catarina em cima dele a temer pela vida. Esta foto foi tirada pelo verdadeiro condutor do elefante que, como se pode comprovar pela qualidade da fotografia, escolheu a profissao certa...



Para alem de passearmos na selva com elefantes, eles tambem nos deram uns belos banhos, o que, a hora de calor, soube mesmo muito bem!



Curioso e que nesse mesmo rio onde tomavamos banho, conseguiamos vislumbrar de vez em quando crocodilos a tomar banhinhos de sol... Sim, dissemos coisas como: "Vou so ali tomar banho. Se vires algum crocodilo avisa-me!"



Momento bucolico: para relaxar de tantas aventuras diarias acabavamos as tardes a observar este maravilhoso por do sol. Chitwan ja deixa saudades...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Kathmandu pictures

Atendendo aos insistentes pedidos dos nossos excelentissimos leitores, a quem estamos sempre atentas, aqui vai uma pequena seleccao de fotos do que tem sido a nossa estadia por terras da capital nepalesa.


Aqui temos a Catarina nas compras. Preparem os vossos bolsos para a chegada dela, porque vao ter muita escolha para comprar. Tem-se revelado uma mulher de negocios a nossa amiga! Ja a vi a conseguir coisas por 1/4 do preco que o vendedor tinha pedido inicialmente, o que tambem me tem dado algum jeito...


Digam la que a cosmetica nepalesa nao nos favorece a pele!!! Quem nos tirou esta foto foi um dos vendedores na praca principal de Kathmandu, chamada Durbar Square, que nos disse ter aprendido a fotografar com um fotojornalista do New York Times. Nos ficamos na duvida...mas e um facto que, ao contrario de um outro indiano a quem pedimos uma fotografia, este nao nos cortou ao meio...


E la encontramos o nosso amigo Hugo, que veio fazer trekking por estas bandas. Estivemos quase para nao o ver, mas devido ao mau tempo, o voo dele para os Himalaias foi adiado, o que nos possibilitou um convivio nocturno com direito a jantar. E vinho! Para alem do Hugo, conhecemos os dois portugueses que o estao a acompanhar nesta jornada em busca dos Sherpas, o povo das montanhas.


E hoje, quando iamos em busca de um restaurante, deparamos por acaso, com as filmagens de um anuncio. Digam la que eles nao sao cheios de estilo?!?!? Nos ficamos logo ali a babarmo-nos por aqueles exemplares masculinos tao graciosos! Mas claro, tinha de haver a gaja boa para nos por logo a um canto...


Pelo meio alguem nos disse que este belo exemplar era o "ancient prince of Nepal". Sera? Nao sera? Isso e o que teremos de descobrir.


E aqui temos uma fotografia de um homem santo na Durbar Square de Kathmandu. Depois desta foto, seguiu-se um episodio curioso. Ao ouvirmos alguem a falar portugues, viramo-nos e um casal vem na nossa direccao. A rapariga diz que sabe onde eu moro e que me costuma ver a passear o cao. Era nada mais nada menos que a filha dos meus vizinhos do andar de baixo. Foi uma grande coincidencia que os unicos portugueses com quem nos cruzamos aqui fossem logo conhecidos... Choses de la vie.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Travessia India-Nepal: segunda etapa

Quando chegamos a Birganj estavamos tao podres que optamos por seguir para Kathmandu no dia seguinte. Acabamos por ficar num hotel a descansar e a ver filmes na HBO, esse grande canal americano!
Ontem la nos pusemos ao caminho, com mais quase 10 horas de autocarro, desta vez bem mais calmo e com paisagens deslumbrantes. E muito interessante ver como ao atravessar a fronteira por terra se consegue observar logo a diferenca cultural e paisagistica. E ate os tracos das pessoas se notam logo tao diferentes.
Em comparacao com a India sente-se uma maior leveza na atitude das pessoas, menos gente e menos confusao. As mulheres parecem tambem muito mais descontraidas, vem-se muitas a viajar sozinhas com os filhos, o que no norte da India nao e propriamente comum. Engracado como em tao pouca distancia existem tantos contrastes!
E viemos desembarcar em Kathmandu, mais concretamente Thamel. Uma especie de oasis ocidental que, apesar de tudo, serve para saciar fomes mais imediatas de comida e consumismo! Finalmente conseguimos comunicar num ingles menos arcaico e conseguir que nos percebam. E por aqui ficamos uns dias...

E la entramos no Nepal...